Ele começou a me procurar há mais de 30 anos atrás. Naquela época, o seu modo arrojado e informal de ser me assustou mas, com o tempo, fui reconhecendo nele uma sabedoria e uma bondade incomum que me cativaram por completo.

O Calunga brinca muito. Tem um senso de humor astuto e agradável que se mistura à sua inteligência quase genial, e uma capacidade de ser terno sem ser piedoso que lhe dá um jeitinho cativante e, muitas vezes, um charme arrebatador. Tudo isso faz dele uma pessoa profundamente capacitada para dar orientação. Costuma-se comentar que o seu maior dom é a sua capacidade de falar duras verdades sem que a pessoa se ofenda. Para mim, ele tem se mostrado um grande mestre e um estimado amigo.

Às vezes, em tom de brincadeira, ele se gaba de ser o único desencarnado, ou “defunto”, como ele se chama, a ter um programa de rádio. (Rádio Mundial FM 95,7 e AM 660, quartas-feiras às 10 horas da manhã).

O Calunga nos conta que morreu aos 54 anos na sua última reencarnação de meningite, como consequência da sua época de juventude. Ele nos fala:
“Eu e minha avó africana fazíamos muita magia negra para judiar dos brancos que judiavam dos pretos”. Era uma verdadeira guerra. Então, fiquei compromissado.

Nessa mesma vida, tive a visita de uma entidade superior, como a visão de uma santa, que apareceu-me quando eu estava fazendo um trabalho em uma cachoeira. Ela me transmitiu um amor tão grande e poderoso como eu jamais havia sentido e me pediu para parar com aquele mal e me salvar da lei do retorno ou, senão, nada poderia ser feito a meu favor e eu passaria a sofrer um pesadelo infernal.

Comovido com aquele amor, eu me transformei e resolvi usar a magia para curar as pessoas, mas fiquei com a cicatriz, o remorso pelo que tinha feito. Foi ele que me levou a ter aquela doença e desencarnar. Eu morri no começo do século XX. Logo que aqui cheguei, os mentores me puseram no trabalho. “Vamos trabalhar, Calunga”, me disse um mentor. “Para poder se livrar de seus remorsos, será necessário ajudar aqueles a quem você prejudicou, senão nunca irá se curar”.

E aí eu fui ajudar os brancos e os negros com quem eu havia me compromissado diante de mim mesmo, pois Deus não cobra nada, mas nossa Alma é exigente. Eu só senti alívio depois de ajudar. Aí eu gostei e pedi permissão para continuar, pois com o trabalho me mantenho lúcido e aprendendo.

Por isso, quis conservar minha aparência de preto. Estou acostumado a ela e nem saberia mais ser branco como fui em algumas vidas passadas na Europa. Além do mais, eu gosto da minha negritude com seus atributos naturais que me facilitam lidar com as forças mágicas. No entanto, quero ver se reencarno como mulato para não exagerar nem de um lado nem de outro.

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